02 dezembro 2014

O que aprendemos com os cães sobre o amor?


Quando você leva um cachorro pra casa, você sabe (ou pelo menos deveria) o tamanho da responsabilidade que está assumindo. Com o amor é a mesma coisa. O encontro com o amor se dá, quase sempre, da mesma maneira que encontrar um cão na rua. Você está lá, só de passagem, cuidando da sua vidinha; o amor está ali, na esquina, à espreita, à espera de um sujeito boa praça que resolva, inadvertidamente, adotá-lo. Você vê aquele bichinho indefeso, inofensivo, carente, com aqueles olhinhos de pelo-amor-de-deus-tenha-pena-de-mim, e pensa: por que não? Pronto. Lascou-se.


O amor é difícil de cuidar porque demanda muita dedicação. Tem que alimentá-lo o tempo todo, e o bicho parece nunca estar satisfeito. Pode ser fiel como um cão, mas também voluntarioso como um gato. E, às vezes, mais silencioso que uma tartaruga. De madeira. Quase um peso de porta.

O amor também precisa ser adestrado. Quando ele faz alguma travessura, algo como rasgar suas cortinas ou seu coração (em algum momento ele vai fazer isso), é necessário repreendê-lo pra que não faça de novo. Afinal, não dá pra gente ficar trocando toda hora de cortinas. Ou de coração.

Mas essas travessuras são amplamente compensadas pelo carinho que o amor nos dá. Esse bicho sabe ser carinhoso quando quer. Se o afagamos, ele nos afaga de volta. E, nos invernos mais rigorosos, aquece nossos pés e toda a nossa existência sem sentido.

Não pode ser criado em gaiolas, caixas ou cercados, a menos que você queira um amor anão. Cercas e grades limitam suas possibilidades de crescimento.

Nunca se esqueça de que o amor está ali. Você sai pra trabalhar, pra passear, pra se divertir com seus amigos, e, quando você volta pra casa, o amor está te esperando na porta, como o cachorro da música do Roberto Carlos, que lhe sorri latindo. É bom ter para quem voltar das nossas batalhas diárias.

Claro que tem momentos em que o amor não vai nos sorrir. Só latir. E até querer nos morder. Cabe recuar, se afastar, dar um tempo. Deixá-lo lamber suas próprias feridas. Confiar no que viveu.

Às vezes, o amor adoece e a gente não sabe do quê. Foi comida demais? Foi cuidado de menos? Não tem veterinário que cuide de amor. É a gente que tem que descobrir o que aconteceu, o que fez de errado. Passar a noite ao lado da criatura, cuidando da febre, dando remédios e pedindo a Deus para que ele não morra. Porque, se morre, a gente morre um pouco junto.

Infelizmente, não há fórmulas nem receitas. Eu crio amores desde menina e ainda não peguei o jeito. Alguns duraram mais, outros menos, muitos eu perdi, confesso tristemente, por total descuido e relapso da minha parte. Outros eu simplesmente deixei ir embora, porque estavam grandes e gordos e já não cabiam no meu quintal. Cada amor é único. Tem as suas… idiossincrasias.

Texto e imagem retirados de: Casal sem vergonha

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