17 fevereiro 2015

Cinquenta tons de cinza: Cristãos ansiosos pelo lançamento?

Se você não é cristão ou tem raiva dos mesmos, favor não ler esse post.



Antes de tudo eu quero contar um pouquinho sobre o meu histórico, para quem ler o texto não ir julgando e achando que eu sou uma evangélica burra que só pensa em dar depois do casamento.



Até alguns anos atrás eu sentia um prazer imenso na automutilação (ou cutting), antes de decidir de uma vez por todas entregar a minha vida para Jesus eu "brinquei" muito sozinha e com namorados e durante um período da minha vida eu tive um blog privado onde só escrevia contos eróticos.

Em dezembro de 2012, quando eu me toquei que a minha vida estava indo MUITO mal eu decidi parar de ser crente só de igreja e decidi entregar a minha vida para Jesus. Com isso eu assumi uma postura de castidade e tenho que confessar que ficou muito mais fácil não fazer sexo, nem me excitar ou me deixar ser excitada.

Ok, agora, vamos para o texto mesmo. Quando a trilogia estourou eu logo baixei os livros, foram os primeiros ebooks que eu li (até ali eu só lera livros impressos), e li a história em três dias. Inclusive a minha carência aumentou tanto que eu reatei com um ex namorado, em busca só de sexo, não por amar o cara ou achar que o relacionamento me fazia bem.

Então depois aconteceu aquilo, eu fui pra Jesus de vez, aprendi a não ser evangélica, mas sim cristã, e perdi toda a vontade de fazer sexo, abandonei de vez a pessoa e cinquenta tons de cinza ficou no passado para mim.

Agora que o filme estava prestes a lançar eu vejo nas mais diversas redes sociais "cristãos" contando os dias para ir ao cinema assistir. Não entendi nada com nada, como que pessoas "santificadas" podem desejar assistir a tal coisa no cinema?

Antes de aprofundar mais no assunto eu vou deixar um versículo da bíblia aqui. Foi nesse trecho que eu me inspirei para criticar esses fãs da trilogia (que se dizem de Deus):

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. 
Apocalipse 3:16


A primeira coisa que eu quero falar é que esse morno que a palavra fala é aquela pessoa que hora está super apegada a Deus e outrora está agindo contra o que a palavra diz.

Então, quem aqui já leu contos ou livros eróticos dos mais variados tipos percebe que a trilogia fica entre uma história erótica escrita por um virgem (frio) e entre um grande livro que trata o sexo como ele realmente é, sem fantasias de que tudo vai ser lindo (quente). Ou seja, a narrativa em si é morna.

Cinza não é nem preto (quente) e nem branco (frio), é um meio "tom" que não alcança nenhum dos extremos, isso contando com os cinquenta tons (morno).

Anastásia é virgem e pura, só beijou dois caras em quase 22 anos de vida (fria), Christian Grey por outro lado já foi dominado e também já foi o dominador, é experiente no assunto (quente).

Juntos os dois experimentam o sexo baunilha (sexo normal, sem nada de bizarro envolvido) e criam (isso no segundo livro) um novo jeito de transar que hora é só sexo e outrora é sadomasoquismo (morno).

Além de tudo o que eu já disse sobre o morno, ainda vemos que a história só acontece e leva meninas virgens ou já com vida sexual iniciada a tamanho frenesi porque o Christian é um mega empresário e tem tanto dinheiro que não consegue nem calcular quanto tem na conta bancária. 

Caso ele fosse como qualquer outro cara e tivesse uma vida vida financeira apenas estável, provavelmente no segundo capítulo ele teria sido internado em uma clínica psiquiátrica para tratar da sua "compulsão" por sexo misturado com dor.

Ana por outro lado é uma universitária, com uma vida financeira que não é das melhores, se sente a pessoa menos atraente do mundo e causa uma atração do caramba em um cara considerado o Deus Grego do século XXI.

Só em dar esse estilo á protagonista, a autora já acertou em cheio na carência de mais de 80% das mulheres do mundo que se sentem horríveis com seu tipo físico e sem nenhuma chance de encontrar alguém que ame-as de forma verdadeira.

Agora focando de novo nas cristãs (eu sei que também tem cristã que faz isso). A Anastásia se guardou até então e nem ela sabe direito porque e então diante das circunstâncias ela acha que só vai conseguir segurar o multimilionário se der para ele.

Daí a "cristã" que leu a trilogia pensa: A mulher se guardou até adulta, deu pro cara e no final das contas ainda conquistou um marido incrível. A mulher segurou e mudou o cara na base do sexo, então eu também vou fazer isso, porque não vi nada de errado em fazer sexo e ainda por cima praticar sadomasoquismo.

Então daí o sexo já vai perdendo o valor que tem (ou deveria ter), e apesar de ser uma história erótica bem morna, facilmente você se excita com aquilo e acaba, como eu na época, entrando numa carência tamanha que se dispõe a dar para qualquer cara ajeitadinho que pareça o kid bengala ou um pica das galáxias.

Um livo idiota, mau escrito, que fere os princípios cristãos te leva a fazer coisas por impulso só para se arrepender depois. Agora vamos ao cinema. Não precisa ter perdido muito da inocência para saber que muita gente vai ao cinema para satisfazer fetiches.

Fetiches como o risco de ser pego enquanto faz sexo, ou transar em público e saber que as pessoas que estão nas cadeiras próximas vão pelo menos dar uma olhadinha. Agora quero pedir perdão mesmo, mas não vou citar nomes.

Quem me acompanha desde o inicio aqui sabe que na época que eu me afastei de Deus para valer, eu tive um fetiche por amizades coloridas e por sexo com o risco de ser pega. Muitos leitores dessa época escreveram emails (e olha que o filme estreou dia 12!) dizendo que aproveitaram que o cinema é escuro e o filme já traz uma excitação e fizeram sexo ou masturbação a dois no cinema e adoraram.

Daí voltamos a supor, você cristã, está louca para provar se o sexo é realmente tudo o que falam, mas não acha um lugar onde possa transar com o seu parceiro. Eis que o cinema é escuro, está lotado de gente e você vê a chance perfeita para ao menos se bolinar ou bolinar o seu parceiro, pronto querida. Pecou mais uma vez!

Além de tudo muitas meninas que acharam que transar seria demais, decidiram se autotomizar para tentar sentir um pouquinho do prazer que a protagonista sentia com o sadomasoquismo. Eu sei que não tenho moral nenhuma para falar disso com o meu histórico, mas com a minha experiência eu digo que na hora que você cai na real e vê as feridas no teu corpo te dá um desespero tamanho que você deseja morrer só para não ter que ver mais as marcas na tua carne. Também deixo uma palavra sobre isso:

O homem bom cuida bem de si mesmo, mas o cruel prejudica o seu corpo. 
Provérbios 11:17

E por fim eu deixo aqui o que eu acredito ser o motivo para Deus querer que nós só façamos sexo depois de casados. Dói muito você ser usada por uma pessoa só para satisfação carnal e depois ser jogada fora como um papel de bala.

Quando estamos casados normalmente já conhecemos a pessoa, não corremos o risco de sermos abandonados e principalmente, fazemos AMOR e não SEXO. Amamos fisicamente o outro.

O vídeo que me inspirou a escrever essa reflexão foi esse e eu recomendo que vocês assistam também porque vai complementar este texto:



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