11 junho 2016

Eu sofri bullying - Primeiras vezes




*Com essa série de posts eu tenho a intenção de mostrar como o preconceito mexe com a gente de uma maneira que é irreversível e, portanto, a pena de 2 anos para quem comete crimes contra a honra é muito pequena.

Eu mudei para um colégio católico onde eu tinha que fazer um pai nosso e uma ave maria logo pela manhã e eu não sabia nenhuma das orações.


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Para piorar eu me achava indigna para falar com Deus, ele viu o que aquele homem fez comigo e mesmo que aparentemente eu parecesse só mais uma criança normal, por dentro eu me sentia destruída.

Na nova escola eu não tinha amigos, mas pelo menos ninguém me zoava por eu ser gorda ou estranha e tinha uma psicóloga com quem eu ia conversar duas vezes por semana.

Então na metade do ano aconteceu um milagre comigo, eu arrumei os meus primeiros amigos e todos eram meninos e gordos e a gente zoava com os magros.

Eu me senti incrível pela primeira vez na vida, foi como se eu tivesse guardado os antigos traumas em um depósito no fundo da consciência e aceitado viver só o presente.

Fui na minha primeira festa, a Luisa¤ não ressurgiu como aconteceu das outras vezes e a única coisa que ainda me chateava era o fato que a minha mãe vivia viajando a trabalho e nunca podia me levar junto.

Então em uma bela tarde depois do balé eu estava com dois desses garotos e olhei um deles de um jeito diferente, lembro que assim que cheguei em casa eu fiz uma lista no meu diário de tudo o que tínhamos em comum.

Mas eu decidi manter a paixão em segredo, mas aos poucos eu fui mudando, eu voltei a estudar como antes da cirurgia cardíaca, comecei a me arrumar e fui voltando a ser uma garota.

Então eu tive a ideia estúpida de escrever uma carta para ele contando da minha paixão e propondo que ele tirasse o meu BV (Boca virgem) e pedi para uma colega minha entregar.

Ele disse que enquanto eu era como ele eu era uma boa amiga (como dói ouvir essa palavra nessas condições), mas que agora ele só queria distância.

Foi um dos piores momentos da minha vida, o pior é que as pessoas não me levavam a sério porque todos achavam impossível uma menina de 12 anos sofrer por alguém.

Do mesmo jeito que eu tinha melhorado, eu piorei, eu não estudava mais, matava aulas, comecei a ir vestida como uma mendiga para o colégio e eu decidi transformar o plano de suicídio em verdade.

Primeiro eu comecei a praticar bulimia, tanto na escola quanto em casa e no dia 22 de outubro de 2006 eu tentei me matar afogada na privada.

Obviamente eu não morri e o plano não deu certo porque eu simplesmente não consegui me afogar, parecia que uma mão puxava a minha cabeça para cima toda vez que eu cria que iria morrer.

Depois da tentativa frustrada eu comecei a praticar cutting (me auto mutilar) e eu escondia os cortes só usando moletons.

Aquela tristeza pelo o que aconteceu no ano anterior voltou com tudo e eu coloquei na cabeça que não merecia viver e que eu era nojenta, tipo um verme.

¤ Os nomes foram modificados

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