09 julho 2016

Eu sofri bullying - Inúmeras tentativas



*Com essa série de posts eu tenho a intenção de mostrar como o preconceito mexe com a gente de uma maneira que é irreversível e, portanto, a pena de 2 anos para quem comete crimes contra a honra é muito pequena.

O ano começou péssimo, minha mãe tinha uma infecção no dente e o pus subiu para a cabeça e na madrugada do dia 1 para o dia 2 de janeiro de 2007 o lado direito do corpo da minha mãe paralisou.


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Ao invés de pensar "Eu vou apoiar a minha mãe" eu fiquei com tanto ódio porque ela podia morrer a qualquer minuto e tinha gastado os últimos anos trabalhando e me ignorando que eu decidi que iria me vingar não indo vê-la no hospital.

Quando as aulas voltaram a minha mãe continuava paralisada e eu estava planejando um novo suicídio, dessa vez tão perfeito que eu com certeza morreria.

Para piorar eu ainda estava apaixonada e o garoto começou a me zoar junto com todos os outros alunos. Eu enlouqueci e lembro que eu falava sozinha para tentar me livrar do vazio.

Minha mãe foi operada e os médicos achavam que era um tumor, mas quando abriram a cabeça dela descobriram que o pus do dente tinha formado um abcesso que estava ocupando um quarto do crânio.

Foi só retirar o abcesso que a minha mãe voltou ao normal, eu precisava ficar com a minha mãe, mas ela precisava ir fazer um tratamento em uma clínica em Suzano e eu decidi que executaria o meu plano antes de ela voltar para a casa.

Me lembro que na manhã antes da segunda tentativa de suicídio os meus colegas descobriram que era BV e começaram a me zoar e o menino contou da carta para todos no Orkut.

Minha segunda vez foi péssima, eu cortei os pulsos com um canivete e logo em seguida eu perdi a coragem e fiz curativo nos pulsos e pedi para a minha avó me levar no pronto socorro.

Minha família estava passando por uma crise financeira horrível, eu tinha perdido o meu plano de saúde e me levaram para o mesmo hospital que a minha mãe estava internada.

Demoraram horas para me atender e, até hoje, eu não sei como não chamaram o conselho tutelar. Eu comecei a ir só uma vez por semana na escola e minhas médias ficaram entre 0 e 1,5.

Minha mãe voltou para a casa e o pior acabou virando o melhor, nossa relação melhorou, ela parou de trabalhar tanto e finalmente voltou a cuidar de mim como antigamente.

Eu fiz um grande amigo que tentou me convencer que dali um tempo o menino que eu ainda era apaixonada  ia ser insignificante e a crise financeira melhorou.

Então eu comecei menstruar e não pensem que porque foi a primeira foi leve, já foi no estilo Tutty e um dia, no meio da aula de português, eu só ouvi um barulho de líquido caindo no chão e quando olhei para baixo eu tinha uma poça de sangue no chão e aquilo tinha saído de mim.

Depois disso eu ganhei o apelido de goteira e a minha ginecologista disse que como eu era muito novinha eu não poderia tomar hormônios, então o jeito de controlar a situação era usando fraldas geriátricas.

Um dia uma colega viu que eu estava de fralda e todo mundo começou a me zoar o triplo e, naquele dia eu tive a minha terceira tentativa de suicídio.

Eu me apoiei na janela e pedi para que uma força vinda do além me empurrasse da janela, quando nada aconteceu eu roubei os remédios do armário de remédios e me dopei.

Naquele dia eu descobri uma saída para o grande vazio, me dopar e, então, toda vez que alguém me zoava eu me dopava misturando remédios de todo tipo.

Quando o garoto viu que eu estava péssima e vivia dopada ele me ligou e prometeu que não iria mais me zoar e iria pedir para todos pararem.

¤ Os nomes foram modificados


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