12 novembro 2016

Eu sofri bullying - Um novo início, um último fim


*Com essa série de posts eu tenho a intenção de mostrar como o preconceito mexe com a gente de uma maneira que é irreversível e, portanto, a pena de 2 anos para quem comete crimes contra a honra é muito pequena.

O que você faz depois de se formar? Provavelmente o mais sensato seja prestar vestibulares e ingressar em uma faculdade. O que eu fiz depois de me formar? Eu prestei só o vestibular da ETEC e criei um blog.


Leia o post e comente sobre ele, caso contrário, o seu comentário será excluído.

O blog se chamava My sweet poetry (E hoje se chama Hey Tutty!) e eu desabafava sobre o término da amizade colorida e como eu gostava do cara. Na época meu pseudônimo era Tty.

Eu passei no vestibular para o curso técnico em informática e pensei "É uma área que está dando dinheiro, vou entrar na ETEC".

Dali 4 meses eu completaria 18 anos e minha mãe queria um novo recomeço também, então ela descobriu sobre a faculdade de direito, mas quem disse que ela queria entrar.

Ela não queria fazer o vestibular, eu fui com ela, depois ela não queria ir pegar o resultado do vestibular, a amiga dela pegou e ligou para ela dizendo "Você passou! Está na faculdade".

No dia da matrícula estava caindo o pior temporal de todos os tempos, faltavam cinco minutos para a faculdade fechar e ela não queria ir.

Eu tinha acabado de chegar da ETEC e nem larguei a mochila, eu só enfiei minha mãe no carro e pedi para Deus que nós conseguíssemos chegar a tempo.

Tomamos chuva e quando avistamos a porta da faculdade eu vi o funcionário a fechando na nossa cara, comecei orar e fiz minha mãe grudar no vidro e começar implorar para que a abrissem e depois de estarmos encharcadas eles abriram.

Minha mãe estava na faculdade e eu estava no curso técnico, eu me sentia adulta e agora me locomovia por transporte público e tinha autonomia para ir onde quisesse.

Eu decidi deixar o passado para trás de novo e minha madrinha teve uma queda e contratamos uma cuidadora para até que ela se recuperasse.

Em um fim de semana todos pegamos uma gripe e quando melhoramos na segunda feira e fomos ver a minha madrinha ela estava com problemas neurológicos.

Na terça eu disse que descobriria tudo, ás onze horas da manhã minha madrinha me contou que a mulher junto com uma outra médica dopavam a minha tia e roubavam o dinheiro dela para ir fazer compras.

O remédio era tarja preta e o geriatra da minha tia disse que ela tomar o medicamento e morrer era uma coisa só. 14h30 da tarde foi declarado o óbito da minha madrinha/tia.

Para piorar eu descobri que a cuidadora e a médica tinham começado um lindo romance e elas estavam morando no mesmo prédio que eu.

Na época não sabíamos que podíamos provar o assassinato e prende-las, então ficou tudo bem, como se minha madrinha tivesse morrido de velhice.

Eu voltei a me dopar, quando o efeito de um remédio estava no fim eu tomava outro e no curso todos viram que eu estava estranha.

Me pouparam? Não, eles criaram um grupo no Facebook para me zoar e tudo piorou quando eu tive uma hemorragia no colégio e desmaiei.

Eu fui para o hospital e eu estava entrando em anemia por causa da grande perda de sangue. A minha ginecologista me receitou um anticoncepcional que me faria parar de menstruar.

O problema é que os efeitos colaterais da pílula me deixavam acabada todos os dias e a médica não quis trocar porque eram os primeiros meses.

Eu comecei a faltar no curso e, como a minha mãe tem problemas cardíacos, eu comecei a ir na faculdade com ela para ajudá-la com os livros e os professores dela ficavam com pena de mim e me chamavam para assistir aula.

A primeira aula que eu vi foi de direito constitucional e eu me apaixonei pelo direito ali mesmo, então eu ia todos os dias e sempre que dava eu entrava.

Ao mesmo tempo o meu primeiro blog foi hackeado e uma pessoa entrou na justiça alegando que eu tinha plagiado o nome do blog dela.

Então eu me apaixonei pela ideia de defender os mais fracos, de lutar pela punição severa dos responsáveis de quem comete bullying e de, principalmente, não ser mais sacaneada por falta de conhecimento.

Mas antes eu precisava de um tempo para me metamorfosear, eu precisava deixar de me sentir o verme que rastejava pelo mundo para encontrar essa mulher guerreira dentro de mim.

Então eu tirei um ano, inicialmente, para viver para o blog e larguei de vez o curso técnico para me entregar ao direito de corpo e alma.

O resto vocês já sabem...

¤ Os nomes foram modificados
 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

DEIXE A URL DO SEU BLOG. Ás vezes eu demoro para responder por conta da faculdade. Seja respeitoso, caso contrário, o seu comentário será excluído! Obrigada pela visita :)